A brincadeira ocupa quase todas as horas de vigília do dia do pequeno, e não é difícil entender por quê: pequenos são construídos para brincar. A palavra "brincadeira" pode soar trivial — algo que crianças fazem enquanto o sério negócio do desenvolvimento espera — mas o oposto é verdadeiro. Na infância precoce, brincadeira e desenvolvimento não são atividades separadas mas descrições diferentes do mesmo processo.
Compreender como diferentes tipos de brincadeira apoiam diferentes aspectos do desenvolvimento, e o que a evidência mostra sobre o papel do envolvimento de adulto, ajuda pais a pensar sobre o ambiente e oportunidades que criam para seu pequeno com maior intenção e menos ansiedade.
Healthbooq apoia pais com orientação baseada em evidências sobre desenvolvimento na infância precoce, incluindo a pesquisa sobre brincadeira e seu papel nas realizações de desenvolvimento dos primeiros anos.
O Que É Brincadeira
A brincadeira é comportamento intrinsecamente motivado — a criança se engaja porque quer, não porque foi dirigida. Essa motivação intrínseca é uma das características que torna a brincadeira um contexto de aprendizado tão poderoso: quando uma criança está genuinamente engajada e interessada, está em um estado neurológico ótimo para aprender. O engajamento é sustentado pelo desafio que é calibrado para sua capacidade — não tão fácil de ser entediante, não tão difícil de ser frustrante — e pela liberdade de dirigir sua própria atividade.
A brincadeira abrange uma ampla gama de atividades: brincadeira exploratória com objetos, brincadeira construtiva (construção, criação), brincadeira simbólica ou de faz-de-conta, brincadeira social com pares e adultos, brincadeira física e ao ar livre e brincadeira sensorial. Cada tipo engaja sistemas de desenvolvimento diferentes.
Como a Brincadeira Direciona Domínios de Desenvolvimento Específicos
O desenvolvimento de linguagem é apoiado poderosamente por brincadeira. Brincadeira de faz-de-conta — fazer uma boneca adormecer, alimentar um animal de brinquedo, agir uma viagem de compras — requer que as crianças gerem e usem linguagem em contexto, estender vocabulário em novos domínios e criar narrativa. Pesquisa por Sandra Russ e outros liga brincadeira de faz-de-conta à compreensão e expressão de linguagem. Brincadeira simbólica emerge por volta de doze a dezoito meses e se torna cada vez mais elaborada ao longo dos anos de pequeno.
Função executiva — o conjunto de habilidades que inclui memória de trabalho, flexibilidade cognitiva e controle inibitório — é significativamente desenvolvida através de brincadeira auto-dirigida. O processo de escolher o que fazer, planejar os passos, manter o foco em um objetivo e ajustar o plano quando as coisas não correm como esperado engaja exatamente as funções pré-frontais que fundamentam habilidade executiva. Pesquisa por Adele Diamond mostrou que brincadeira dramática em particular, onde crianças devem manter regras em mente e agir em papel ("você tem que ser o médico, eu sou o paciente"), apoia desenvolvimento de função executiva.
Habilidades sociais — rodízio de turno, negociação, resolução de conflito, perspectiva de tomada — são mais diretamente desenvolvidas através de brincadeira com outras crianças. Mesmo pequenos pequenos brincando ao lado (ao invés de diretamente com) uns dos outros estão começando a observar e responder aos estados de brincadeira dos outros.
O Papel de Brincadeira Não-Estruturada e Dirigida por Criança
Uma descoberta consistente na pesquisa é que brincadeira dirigida por criança e não-estruturada tem valor particular para auto-regulação, criatividade e motivação intrínseca. Quando as crianças fazem suas próprias escolhas sobre o que fazer e como fazer, constroem a capacidade para auto-direção que as atividades estruturadas não desenvolvem igualmente. Essa é uma das razões pela qual a orientação profissional de primeiros anos — incluindo o EYFS na Inglaterra — enfatiza aprendizado baseado em brincadeira sobre instrução formal.
Há preocupação crescente entre alguns pesquisadores de desenvolvimento infantil sobre o declínio de brincadeira livre e não-estruturada nas vidas das crianças, associado com atividades estruturadas aumentadas, tempo ao ar livre reduzido e cronogramas de famílias mais ocupados. Tempo que não é agendado — no qual a criança tem que decidir o que fazer, gerenciar seu próprio engajamento e navegar o que quer que surja — é desenvolvimentalmente importante.
O Papel do Adulto
Adultos apoiam aprendizado baseado em brincadeira mais efetivamente não dirigindo brincadeira mas criando um ambiente de brincadeira rico e estando disponível como um parceiro de brincadeira responsivo quando convidado. Um pequeno que está profundamente engajado em brincadeira geralmente não se beneficia de um adulto interrompendo para dirigir ou melhorá-la. Um adulto que está disponível para responder quando o pequeno olha para cima, convida participação ou tem uma pergunta — seguindo a liderança da criança em vez de definir uma agenda — fornece o andaime ideal para desenvolvimento baseado em brincadeira.
O adulto também joga um papel importante no lado da provisão: criando um ambiente seguro e interessante com materiais variados e oportunidades para desafio físico, exploração sensorial e brincadeira imaginativa. Essa provisão não requer brinquedos caros; materiais naturais, objetos domésticos, materiais de arte abertos e espaço para atividade física fornecem um ambiente de brincadeira rico.
Principais pontos
A brincadeira não é uma distração do aprendizado na infância precoce — é o modo primário através do qual o aprendizado ocorre. Através da brincadeira, pequenos desenvolvem linguagem, função executiva, habilidades sociais, habilidades motoras finas e brutas e compreensão do mundo físico e social. Brincadeira iniciada por criança livre e brincadeira guiada por adulto contribuem para o desenvolvimento, mas a pesquisa apoia consistentemente a importância particular de brincadeira livre — exploração auto-dirigida e intrinsecamente motivada — para o desenvolvimento de criatividade, resolução de problemas e auto-regulação. O papel do adulto em apoiar aprendizado baseado em brincadeira é primariamente um de provisão (criando um ambiente de brincadeira rico) e disponibilidade (sendo presente para engajar quando convidado) ao invés de direção.